histórias

Etiópia (2018)

Iniciei 2018 com uma incrível viagem fotográfica para a Etiópia, um país africano com idioma e cultura muito próprios. Juntamente com um grupo de fotógrafos, eu liderei uma expedição com a ONELAPSE para conhecermos tribos muito antigas no vale do Rio Omo, como os Hamar, os Karo e os Mursi. Cada uma, a sua maneira, as tribos se diferenciam com seus costumes, celebrações e pinturas corporais. Um prato cheio para nós, amantes da fotografia, que tivemos que exercitar a nossa atitude e empatia em busca de situações favoráveis para os nossos registros. Conseguimos ainda participar de alguns momentos inesquecíveis e difíceis de presenciar, como os rituais de açoitamento, o salto sobre o touro (bull jumping) e as comemorações noturnas com fogueiras.

Do Omo, no extremo sul, seguimos para o norte. Em Lalibela, a impressão é que estávamos em outro país. Visitamos igrejas esculpidas em pedra há cerca de 800 anos e pudemos vivenciar a forte fé cristã presente nessa região. Fotografamos diferentes tipos de cerimônias, incluindo um batizado que, em minha opinião, foi o ponto principal desta segunda parte da expedição.

Completado o roteiro principal, partimos para uma extensão no nordeste do país, mais precisamente na Depressão de Danakil, região que é conhecida pela média de temperatura mais alta do planeta e por ser também o ponto mais baixo da África. Uma área desértica e inóspita, quase na fronteira com a Eritreia.

Em Danakil, fomos ao limite das nossas possibilidades, andando quilômetros em um deserto de rochas vulcânicas, durante a madrugada, para podermos ver e sentir o que estava diante de nós: “Lava, estávamos vendo lava!”. A boca fumegante do vulcão ativo Erta Ale parecia pequena de longe, mas era uma imensa cratera da qual pudemos chegar pertinho da beirada. Recebemos uma cortina de enxofre no rosto, algo muito forte, mas seguimos firmes apreciando este momento enquanto pudemos. Dormimos algumas horas próximos da boca do vulcão, sob um céu completamente estrelado, em uma daquelas experiências que ficarão para sempre em nossas memórias. 

Em um complexo ziguezague logístico, fomos para o sul, para o norte e para o nordeste do país. Foram muitas horas em aeroporto e em estradas. Sentimos frio e calor. Sentimos o estranhamento diante de tribos tão primitivas, o impacto de ver o inimaginável.  Testemunhamos sozinhos cerimônias únicas nas igrejas de Lalibela que nos lançavam a uma verdadeira viagem no tempo. Estávamos acompanhados com os melhores guias e sentimos que o povo nos acolhia muito bem. Um dia após o outro fomos nos dando conta do quanto era único e mágico tudo o que estávamos vivendo. A vontade era de que a viagem não acabasse.

Eu ainda me pego diariamente recordando tudo o que passamos por lá e feliz por termos feito as fotos que tanto desejávamos. Uma viagem para se fazer muitas vezes, um país fora de série. Um momento épico para todos.